sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O AMOR!

O amor!


Desde tempos outros,
Onde cantavam rouxinóis,
Em galho de ciprestes,
Molhados de chuva,
Ouço falar de amor.

Mos dele só vim provar,
Tempos a traz,
Veneno doce em zarabatana,
Possessão de fada e bruxa,
Num misto de sal e mel.

Com vicio morrerei,
Impregnado me encontro,
Perdi as forças e ganhei asas,
Hoje sou delta do Nilo,
Vertente que só, não se completa!

Santaroza

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

GRATO!

Grato!


Por ser quem sou,
Mesmo enredado de medos,
Sobressai minha fé como um respiro.

Por crer em mim,
Muito mais que eu creio em Ti,
Quando acho que tardas a me atender.

Por florir meu dia,
Mesmo que eu só veja depois,
Quando me tomas pela mão e me acalma.

Por ser Deus em mim,
Habitando minha morada pobre,
Enchendo-me de graças todos os dias.

Por manter minha esperança,
Como vela que se acende na noite escura,
Para dar claro ás sombras descrentes!


Santaroza

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

VENCEDOR!

Vencedor!


Sou vencedor,
Sempre fui,
O segredo?
A paciência,
A constância,
A fé,
E tudo se depositou,
Em minhas mãos,
Que de verdade,
Já foram mais calejadas,
Hoje apenas colhem,
Das plantas plantadas,
Nos campos arados,
E a Deus oferecidos!


Santaroza

FEITIÇO!

Feitiço!


Trevo de quatro folhas
Encruzilhada de terra
Pinga em cuia de barro
Fita de cor amarela
Doce de mamão rosa
Perto do pé de alecrim.

Trança de duas cores
Farinha de mandioca
Água de cheiro azul
Cajado de sucupira
Cigarro de fumo doce
Viola no peito colada.

Foi um feitiço de amor
Pra calar a minha dor
Pranto que chorei só
Na fita eu dando nó
Como uma reza rezada
Como cantiga cantada.

E passou como poeira
Como abrir a porteira
Como tirar com a mão
Alivio pro coração
Foi um feitiço de amor
Que calou a minha dor!

Santaroza

DE GARUPA!

De garupa.

As vezes no silencio da noite
que assovia nas arestas da janela,
meu pensamento toma a garupa
do vento e a galope,eu e ele,
voamos ao encontro das estrelas
na esperança de encontrarmos
o riso que perdemos,
na chuva que nos alagou a alma
noutra noite sem sono.

Santaroza

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

SAUDADE!

Saudade!

Que seja,
Até que passe o tempo,
E ainda que passe,
Que seja ainda,
Um raio de saudade!

Santaroza

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ABSTRATO

Abstrato...

É o tempo que passa
Não resta esvoaça
Se perde e se esvai
Como folha que cai.

Nômade de mim
Caminho assim
Sem mais atenção
A vida é de roldão.

São caminhos de pedra
De tropeço e de queda
Não há nada de flor
Somente estupor.

O suor é a rima
Que faz a volta por cima
E não poupa ninguém
Que quer ser alguém.

Desse pântano sou flor
Mas também eu sou dor
Convertido em poesia
Neste fel que judia.

Sou tropel, sou cavalo
Sem elmo e sem alo
Abstrato de mim
Eterno e sem fim!

Santaroza